Bate-papo com Walcyr Carrasco

Escritor falou com exclusividade ao PNAE (foto: Álvaro Toledo Leme)

Dramaturgo e roteirista de televisão, Walcyr Carrasco nasceu em Bernardino de Campos (SP), em 1951, e foi criado em Marília. Depois de cursar jornalismo na USP, trabalhou em redações de jornal, escrevendo desde textos para coluna social até reportagem esportiva. É autor das peças de teatro O terceiro beijo, Uma cama entre nós, Batom e Êxtase, sendo que esta última conquistou o prêmio Shell de Teatro, um dos mais importantes do país. Muitos de seus livros infantojuvenis já receberam a menção de "Altamente recomendável" da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Entre suas obras publicadas, estão: Irmão negro, O garoto da novela, A corrente da vida, O menino narigudo, Estrelas tortas, O anjo linguarudo, Mordidas que podem ser beijos, Em busca de um sonho e A palavra não dita (todos pela Moderna). Também escreveu minisséries e novelas de sucesso, como Xica da Silva, O Cravo e a Rosa, Chocolate com pimenta, Alma gêmea, Sete Pecados, Caras & Bocas e Morde & Assopra. Ainda se dedica às traduções e adaptações. Além dos livros, Walcyr Carrasco é apaixonado por bichos, por culinária e por artes plásticas. É membro da Academia Paulista de Letras, onde recebeu o título de Imortal.

 

O escritor falou com exclusividade para o PNAE.

 

PNAE -  Gostaria que você apresentasse para o grande público que conhece muito do autor de novelas, o Walcyr Carrasco escritor de livros infantis.

 

Walcyr Carrasco - Eu comecei escrevendo livros infantis, na verdade. O primeiro foi "Quando meu irmãozinho nasceu", publicado até hoje pela Moderna. A literatura sempre fez parte da minha carreira, tenho imenso prazer em escrever para o publico infanto- juvenil.

 

PNAE - Como surgiu o interesse em escrever livros para esse público?

 

Walcyr Carrasco - Eu trabalhava na Revista Recreio, na época em que era dirigida pela Ruth Rocha, a maior autora de livros infanto-juvenis do brasil. Ao escrever meus primeiros contos, ela me incentivou  a continuar, e escrevi meu primeiro livro.

 

PNAE -Alguns de seus livros tratam muito a questão da inclusão. Essa é uma preocupação sua, enquanto escritor?

 

Walcyr Carrasco - Eu fui repórter muito tempo, da Revista Veja e atualmente mantenho ainda uma crônica na Revista Época. Obviamente, as questões da atualidade, do cotidiano, passaram a influenciar muito a minha obra. Inclusão e superação se tornaram temas muito importantes, porque o escritor bebeu das fontes do repórter, como em "O Irmão Negro" e "Estrelas Tortas"

 

PNAE -Para você, escrever um livro é tão gratificante quanto escrever uma novela?

 

Walcyr Carrasco - Sim, é muito. Também é maravilhoso para quem escreve há tanto tempo ouvir hoje em dia que um livro meu teve uma ação transformadora na vida de alguém.

 

PNAE -De onde vem a inspiração para o seu trabalho?

 

Walcyr Carrasco - Ah, se eu soubesse de onde vem a inspiração! Eu sinto uma necessidade até física de compartilhar minha emoção, minha criação.

 

PNAE -O que você acha que é mais importante na relação entre escritor e leitor?

 

Walcyr Carrasco - O escritor deve ser honesto, tem a coragem de se expor e compartilhar suas emoções. Isso cria uma vínculo especial com o leitor, inexplicável até.

 

PNAE -Alguns assuntos de suas novelas podem ser abordados nos livros? Ou vice-versa?

 

Walcyr Carrasco - Sabe, é muito curioso. Mas quando eu tenho uma ideia ela já surge no formato no qual vou escrever. A ideia de novela surge para novela, de livro para livro. Mas é claro, os temas fazem parte da minha vida, e de maneiras diferentes, são expressos em várias obras. Há muitos anos por exemplo, escrevi "Vida de Droga", que é um romance juvenil sobre uma menina que usa crack. Foi logo que o uso do crack começou a ser forte em São Paulo. Eu até achava que seria um livro de pouca duração, por acreditar que o mal ia passar. Mas lamentavelmente, o livro continua super atual. Só que dentro dos parâmetros de um livro para ser adotado em escolas. Inclusive foi adotado em muitas escolas de freiras. Muito mais tarde, acho que uns vinte anos depois, trabalhei o mesmo tema na novela "Verdades Secretas", mas de maneira completamente diferente.

 

PNAE -Atualmente existem novos projetos na área da literatura infantil sendo desenvolvidos?

 

Walcyr Carrasco - Ah....sim...dois projetos que vou desenvolver com a Moderna. Uma tradução e adaptação, como já fiz com "Os Miseráveis" e "Dom Quixote". E um livro inédito. Mas estão muito no começo, para falar deles.

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